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TRE do Pará vistoria rotas de transporte para as Eleições 2026
As visitas técnicas em Tracuateua e Tomé-Açu integram o projeto-piloto Seu Voto Importa e verificam as condições de acesso às comunidades que receberão transporte gratuito para chegar aos locais de votação nas Eleições 2026.
Em algumas comunidades do Pará, chegar ao local de votação exige percorrer quilômetros de estradas, ramais e trechos de difícil acesso. Para garantir que a distância não seja um obstáculo ao exercício do voto, o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE do Pará) está organizando rotas de transporte gratuito para eleitoras e eleitores indígenas e quilombolas nas Eleições 2026.
Nos dias 21 e 23 de setembro, equipes do Tribunal estiveram em Tracuateua e Tomé-Açu, municípios do nordeste do Pará, para conhecer os trajetos que serão percorridos pelos veículos, verificar as condições das estradas e conversar com as comunidades que serão atendidas.
As visitas fazem parte do projeto-piloto Seu Voto Importa, instituído pela Resolução nº 23.753/2026, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No Pará, a iniciativa é desenvolvida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE do Pará), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semec), e oferece transporte terrestre especial e gratuito, nos trajetos de ida e volta, em Belém, Outeiro, Mosqueiro e Icoaraci.
O objetivo é garantir o exercício do direito ao voto, com a adoção de medidas concretas para superar barreiras que possam dificultar a participação de todas as pessoas no processo eleitoral.
No TRE do Pará, a iniciativa é organizada por meio da Secretaria de Planejamento (Seplan) e tem como coordenador o membro efetivo da Corte Eleitoral, juiz José Alexandre Buchacra.
Quilombos de Tracuateua
A primeira visita ocorreu em Tracuateua, no dia 21 de setembro. O juiz Alexandre Buchacra e a secretária de Planejamento do TRE do Pará, Elaine Santana, iniciaram a vistoria na sede da Prefeitura, onde verificaram dois ônibus e um carro de apoio que serão cedidos pelo município, com combustível e motorista.
Com isso, a equipe seguiu para o Quilombo do Torres, onde conversou com o líder José Maria Gomes, da Associação dos Remanescentes de Quilombolas da Comunidade do Torres. O local possui uma seção eleitoral, mas a rota planejada será ampliada para atender também eleitoras e eleitores da sede de Tracuateua e das comunidades de Quatro Bocas, Fundo da Dispensa e Goiabal, que não possuem seções eleitorais.
Outro ponto visitado foi a Associação dos Produtores Quilombolas da Comunidade do Jurussaca. O presidente da entidade, Genilson, apresentou as demandas da comunidade e explicou as necessidades relacionadas ao deslocamento dos moradores.
Para chegar ao Jurussaca, o ônibus partirá da sede do município e passará por Açaiteua, Cebola e Campo Novo. A comunidade possui duas seções eleitorais.
Durante a visita, as lideranças também falaram sobre as dificuldades enfrentadas por pessoas não alfabetizadas no momento da votação. Elaine Santana destacou a importância de orientar essas pessoas a levar os números das candidaturas anotados no dia da eleição.
A conversa também relembrou a ação “Sou Quilombola, Anote Aí”, realizada em 2023 pelo então corregedor regional eleitoral, desembargador José Maria Teixeira do Rosário, atual presidente do TRE do Pará.
Aldeias Indígenas de Tomé-Açu
Dois dias depois, em 23 de setembro, a agenda seguiu para o município de Tomé-Açu, onde foram percorridos os caminhos que serão utilizados para transportar eleitoras e eleitores indígenas de diferentes aldeias.
A primeira parada foi na Aldeia Cuxiú-Mirim, liderada pela cacica Adelina. Para chegar à comunidade, são cerca de 50 quilômetros de estrada asfaltada e outros 10 quilômetros de ramal. O percurso leva aproximadamente uma hora. A diretora da Escola Zane Tuerimó, Lucilene, também acompanhou a visita.
À tarde, a equipe seguiu para a Aldeia Turé, liderada pelo cacique Lúcio, dentro da Terra Indígena Turé-Mariquita, que reúne diversas aldeias. O local será utilizado como ponto de encontro para eleitoras e eleitores de outras comunidades da região.
A partir do cartório da 39ª Zona Eleitoral, o trajeto até a aldeia tem aproximadamente 12 quilômetros de asfalto e 26 quilômetros de ramal, com duração estimada entre 40 e 50 minutos.
Também participaram das vistorias o juiz eleitoral da 39ª Zona Eleitoral, David Jacob Batos, e a chefe de cartório, Lena Érika Leão.
Informações eleitorais na língua indígena
Além de verificar as condições dos trajetos, a agenda em Tomé-Açu também foi marcada por ações de orientação às comunidades. Na Aldeia Turé, houve uma conversa sobre violência contra a mulher nos territórios indígenas, com profissionais do Tribunal de Justiça do Pará, da Prefeitura e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).
Durante a visita, o juiz Alexandre Buchacra apresentou o “Guia Originários: sua língua, seu voto, sua representatividade”, que leva informações eleitorais às comunidades indígenas em suas próprias línguas.
Em Tomé-Açu, o material é apresentado em Tenetehar, língua pertencente ao tronco Tupi. Os conteúdos, disponíveis em texto e vídeo, abordam temas como votação, campanha eleitoral, dia da eleição e segurança da urna eletrônica.
O projeto foi desenvolvido durante o período em que o desembargador José Maria Teixeira do Rosário esteve à frente da Corregedoria Regional Eleitoral, no biênio 2023-2024. Os tradutores são indígenas Tembé da Aldeia Teko-Haw, em Paragominas.
Ao receber os guias, o cacique Lúcio reconheceu entre os tradutores integrantes de seu povo que participaram do trabalho de preservação da língua Tenetehar.
Como vai funcionar o transporte
As visitas fazem parte da preparação para a operação do Programa Seu Voto Importa, instituído pela Resolução TSE nº 23.753/2026. A iniciativa prevê transporte para eleitoras e eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida, além de pessoas de territórios indígenas, comunidades remanescentes de quilombos e outras comunidades tradicionais que não tenham meios próprios de chegar aos locais de votação.
No Pará, o programa foi estruturado inicialmente como projeto-piloto. Nesta primeira etapa, serão atendidas pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida em Belém, comunidades indígenas de Tomé-Açu e comunidades quilombolas de Tracuateua.
No dia da eleição, dois servidores do TRE do Pará serão enviados a cada município para acompanhar a operação, orientar as pessoas beneficiadas, monitorar os trajetos e fiscalizar eventuais irregularidades, como a prática de boca de urna.
No 1º turno, em 4 de outubro, a proposta é garantir que a distância até a seção eleitoral não seja um obstáculo para quem vive em comunidades tradicionais e deseja exercer o direito de voto.
Texto: Ana Beatriz Manarte / Ascom do Pará, com informações da Secretaria de Planejamento.
Imagem: Leonardo Moraes / Ascom do TRE do Pará.