O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE do Pará) apresentou, nesta quarta-feira (26), a exposição “Todas e Todos por Elas: Vozes por Geordana” durante a II Jornada de Boas Práticas de Equidade Racial, promovida pelo Tribunal de Contas do Estado do Pará (TCE-PA). O evento ocorreu na Escola Judicial do Poder Judiciário do Estado do Pará (EJPA), em Belém.
Com o tema “Raça, Gênero e Justiça Social: caminhos para o enfrentamento das desigualdades estruturais”, a jornada reuniu instituições signatárias do Pacto Interinstitucional Pró-Equidade Racial para compartilhar experiências e boas práticas voltadas à promoção da equidade, da inclusão e ao enfrentamento das desigualdades estruturais.
No painel de Boas Práticas, conduzido pela jornalista Vanessa Vasconcelos, instituições signatárias do Pacto apresentaram projetos e iniciativas desenvolvidos para promover a equidade racial.
Entre as iniciativas apresentadas esteve a exposição “Todas e Todos por Elas: Vozes por Geordana”, desenvolvida pelo TRE do Pará. A ação utiliza a memória para provocar uma reflexão sobre a violência contra as mulheres, o feminicídio, a democracia e a responsabilidade das instituições.
Para apresentar a iniciativa, o diretor-geral do Tribunal, Bruno Giorgi Almeida, e a coordenadora da Escola Judiciária Eleitoral do Pará (EJE-PA), Nathalie Castro, conduziram uma apresentação em formato de bate-papo. Na conversa, os dois compartilharam informações sobre a concepção da exposição e a mensagem que o Regional paraense busca transmitir por meio da campanha.
A mostra foi inaugurada pelo TRE do Pará em 25 de novembro de 2025, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Geordana Farias foi escolhida como personagem central da campanha “Todas e Todos por Elas”. Jovem negra, ela foi assassinada aos 20 anos, em 2021, vítima de feminicídio.
A exposição parte da ideia de que, antes de ser uma vítima, Geordana foi uma vida inteira: filha, mulher, modelo e uma pessoa com sonhos, projetos e uma história própria.
Além da história de Geordana, a mostra apresenta outras 16 histórias de mulheres assassinadas no Brasil, incluindo casos emblemáticos como os da atriz Daniela Perez, da missionária Dorothy Stang e da vereadora Marielle Franco. Ao reunir essas histórias, a iniciativa busca dar visibilidade às vítimas e estimular a reflexão sobre a violência de gênero.
Durante a apresentação, Bruno destacou que a iniciativa demonstra como boas práticas podem ultrapassar os limites da própria instituição e inspirar novas ações.
“Boas práticas não precisam ser copiadas. Elas precisam inspirar novas práticas. Quando elas ganham visibilidade, podem chegar a outros órgãos e ser aplicadas em diferentes realidades”, pontuou o diretor-geral.
Nathalie ressaltou que a exposição vai além do registro da memória de Geordana e representa um compromisso coletivo com o enfrentamento à violência. “Ela não é apenas uma exposição, é um gesto de responsabilidade. Porque a voz dela foi calada, mas ela pode ser a nossa voz. Nós podemos salvar outras mulheres”, destacou.
A iniciativa também propõe uma reflexão sobre o papel da Justiça Eleitoral diante de questões que ultrapassam o processo eleitoral. A partir da pergunta “O que uma Justiça Eleitoral tem a ver com tudo isso?”, a exposição relaciona o enfrentamento à violência e às desigualdades ao próprio conceito de democracia: o direito de ter voz, ser ouvido e ter direitos respeitados.
A exposição também foi levada a outros espaços por meio de parcerias institucionais com o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e a Casa SESI, ampliando o alcance da iniciativa e fortalecendo a mensagem de enfrentamento à violência contra as mulheres.
O destaque da programação foi a participação da ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Vera Lúcia Santana Araújo, que ministrou a palestra magna da Jornada pela manhã. O encerramento ficou a cargo da filósofa, escritora e ativista Djamila Ribeiro, fundadora do Espaço Feminismos Plurais, com a palestra “Lugar de Fala”.
Também participaram da programação a presidente da Comissão de Promoção à Equidade Racial do Regional Paraense, juíza Andrea Bispo, e o integrante da comissão, Vitor Hugo Santos. O evento contou ainda com a presença da juíza Lurdilene Bárbara Souza Nunes, da 24ª Zona Eleitoral de Conceição do Araguaia; da servidora do Gabinete da Diretoria-Geral, Leila França; das colaboradoras do Tribunal Juliana Nascimento e Mylena Moraes; e dos colaboradores Jefferson Guimarães e Clécio Braga.
Ao todo, o Pacto conta com 65 instituições participantes, fortalecendo o intercâmbio de práticas e a consolidação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento do racismo institucional no Pará.
Texto: Ana Beatriz Manarte / Ascom do TRE do Pará.
Imagem: Gabriela Afonso / Ascom do TRE do Pará.