Apesar da geografia complexa e da estiagem severa que afetou o transporte em diversos municípios, dificultando ainda mais a logística, o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE do Pará) encerrou as Eleições Municipais de 2024 com marcas históricas no tempo da apuração. Em todo o estado, a totalização dos votos foi concluída às 22h24, enquanto Belém foi a primeira capital do país a definir o pleito: às 17h57, menos de uma hora após o fechamento dos portões, o que superou as projeções mais otimistas para o primeiro turno.
Um desempenho inimaginável 30 anos atrás, quando a votação por meio das cédulas de papel depositadas em urnas de lona transformava a contagem manual dos votos em dias e até semanas de espera pelo resultado das eleições muitas vezes questionadas por erros humanos e fraudes como cédulas preenchidas e inseridas nas urnas antes do início da votação. Assim, a conquista do TRE do Pará em 2024 é um exemplo dos grandes feitos atribuídos à jornada de três décadas de implantação da urna eletrônica em todo o Brasil.
Desde 1996, o voto digital vem revolucionando as eleições no país, agilizando o tempo de votação e apuração; combatendo fraudes com diversos sistemas de segurança; e permitindo, cada vez mais, a inclusão da população no processo eleitoral brasileiro. Mas o que hoje é sinônimo de rapidez, confiabilidade, transparência e participação começou como um grande desafio tecnológico que resultaria nos avanços dos trâmites democráticos e do exercício da cidadania nos locais mais remotos do país.
Urna eletrônica: superando os desafios logísticos na Amazônia paraense
A história da urna eletrônica no Pará é também uma história de superação das barreiras logísticas por conta da geografia e das condições climáticas no estado.
Se nas eleições de 2024, o Regional paraense venceu a seca dos rios usando tração animal para levar os equipamentos até as comunidades mais distantes e ainda batendo recorde no tempo da apuração dos votos, em 1996 o desafio era simplesmente provar que a tecnologia também estava apta para enfrentar o calor, a umidade e as longas viagens fluviais e rodoviárias que marcam a cartografia da região amazônica.
E em três décadas de existência, o uso da urna eletrônica no Pará evoluiu de um projeto-piloto em Belém e Ananindeua para uma votação 100% digital que alcança hoje mais de 6,2 milhões de eleitoras e eleitores pelos 144 municípios paraenses.
Somente nas últimas eleições, foram 22.910 aparelhos distribuídos por quase seis mil locais de votação e mais de 21 mil seções eleitorais, sendo 15.453 em áreas urbanas e 4.139 nas zonas rurais, envolvendo 1.645 seções em comunidades ribeirinha, 71 em territórios indígenas e 123 em localidades quilombolas.
Uma realidade possível graças aos avanços tecnológicos que proporcionaram, por exemplo, baterias de alta duração e transmissão via satélite para superar distâncias, além das dificuldades logísticas e estruturais.
Evolução, segurança e transparência
Tecnologia totalmente brasileira em constante aprimoramento, 14 modelos de urnas eletrônicas já foram utilizados no país até as eleições de 2024. Os avanços tecnológicos objetivam principalmente fortalecer a segurança do processo e a confiabilidade da população.
Com aproximadamente 30 camadas de proteção, os equipamentos necessitam de sistemas autênticos que funcionam apenas nas urnas e sem conexão à internet, além do uso de criptografias avançadas, lacres físicos resistentes, entre outros dispositivos para evitar fraudes.
Submetido a uma série de auditorias e fiscalizações antes, durante e depois do voto, o sistema eleitoral brasileiro é um dos mais auditáveis e transparentes do mundo, permitindo diversos mecanismos de conferência e possibilidades para que instituições de controle e a própria população possam avaliar a integridade e a idoneidade da votação eletrônica em todos os aspectos.
Além disso, desde 2008, a identificação pelas impressões digitais dos eleitores, a conhecida biometria, vem sendo ampliada para impedir que alguém consiga votar se passando por outra pessoa, além de acelerar o reconhecimento da população.
Tecnologia a serviço da inclusão e da cidadania
Ao longo de 30 anos, a urna eletrônica também evoluiu para fortalecer a democracia com a participação cidadã. Dessa forma, o sistema brasileiro é considerado e reconhecido internacionalmente como um dos mais inclusivos, integrando recursos que permitem a autonomia.
Para isso, as ferramentas de acessibilidade da urna incluem o Braille no teclado até o uso de fones de ouvido com áudio sintetizado, que orientam eleitores cegos ou com baixa visão durante a utilização da urna.
E com a introdução do intérprete de Libras na tela, pessoas com deficiência auditiva também podem receber orientações sobre como usar o equipamento, sem as barreiras de comunicação.
Orgulho para a Justiça Eleitoral, ao facilitar o caminho para o voto, a urna eletrônica elimina obstáculos históricos e garante que cada cidadã e cidadão - nos grandes centros urbanos ou nos lugares mais distantes - encontrem na tecnologia uma aliada para fazer a sua voz ser ouvida em todo o Brasil com transparência, agilidade, precisão e confiança.
Texto: Elissandra Batista / Ascom TRE do Pará.

